Entrevista feita com Carlos Granja baixista do Coice de Mula banda de punk rock da região de campinas.
Atitude - Primeiro gostaria de dizer que é um prazer entrevista-lo. Para começar conte um pouco da história do coice de mula.
Carlos Granja - O Coice de Mula é uma banda formada em julho de 1999 na cidade de Campinas. No começo éramos uma banda como qualquer outra sem grandes expectativas, só queríamos ensaiar e tocar cover de nossas bandas preferidas (Ramones, Social Distortion, Muzzarelas, etc). Mas com o tempo isto foi ficando muito chato e começamos a escrever nossas próprias músicas. Gravamos uma demo ainda em 99 e foi aí que começaram a surgir as oportunidades de shows. Em 2001 lançamos o nosso primeiro CD "Eu Sei Que Vocês Vão Falar Mal..." pelo nosso próprio selo, Bosta Recs. E neste tempo tivemos a sorte de poder tocar ao lado de nossos amigos e de grandes bandas nacionais e internacionais. Das internacionais já tocamos com o Down By Law, Bambix, Bulldog e Lurkers. E estamos aí na batalha, sempre independentes e prestes a lançar o segundo CD "Punk Roça Stars".
Atitude - Qual sua espectativa com esse novo cd?
Carlos Granja - A minha expectativa com relação ao novo CD é que ele seja aclamado como um dos piores lançamentos de uma banda punk. hehehe... Agora sério, não tenho expectativa nenhuma. Espero que o cara que for no nosso show compre o CD e que se possível goste da música. Mas não se pode agradar a todo mundo. E nós somos uma banda que não costuma agradar muitas pessoas. Para alguns somos muitos toscos, para outros somos muito pop. Só vamos saber o resultado quando lançarmos o CD. Vamos aguardar.
Atitude - A Formação atual da banda é está desde o começo da banda ou já teve mudanças?
Carlos Granja - Tivemos algumas mudanças infelizmente. Sempre admirei bandas que conseguem manter a sua formação original. Mas numa cena independente é muito dificil de ocorrer devido aos inúmeros problemas que enfrentamos. O primeiro a deixar a banda foi o Gilberto que era o guitarrista e vocalista original, no lugar dele recrutamos o Viril para as guitarras e eu (Carlos Granja) acabei assumindo além do baixo que já tocava, o vocal também. E no final do ano passado o nosso baterista original decidiu sair também e tivemos que recrutar o Adriano que é um puta batera. E acabou restando apenas eu da formação original. A formação atual é: Carlos Granja (b/v), Viril (g) e Adriano (d).
Atitude - Da onde surgiu o nome Coice de Mula?
Carlos Granja - Quando formamos a banda queríamos fazer algo diferente. As banda na época estavam muito influenciadas pelo hardcore californiano e como consequência o nome das bandas brasileiras de punk/hc eram na maioria das vezes um nome em inglês. Então, queríamos um nome em português e que conseguisse através do nome mostrar a proposta do nosso som. Um nome de impacto e que ainda tivesse raizes do interior. O nome Coice de Mula me pareceu perfeito na época. E continuo achando que seja hoje.
Atitude - Qual foi o melhor show da banda?
Carlos Granja - O melhor show na minha opinião foi um que fizemos em 2001 na Concha Acústica do Taquaral em Campinas. Não digo nem que foi o melhor porque tocamos muito, porque nem me lembro deste detalhe. Mas foi o melhor pela resposta da galera, tinha muita gente mesmo e quando chegou nossa vez de tocar todo mundo desceu para perto do palco para agitar, foi inesquecivel. Não esperava ter algum dia este reconhecimento. Mas também foi só esta vez, já que sempre fazemos shows para poucas pessoas. Já chegamos a viajar para outra cidade e tocar praticamente para os caras do bar pois não tinha publico. Os nossos melhores show tem acontecido nas periferias.
Atitude - E como foi tocar com o Lurkers uma das bandas clássicas do punk rock mundial?
Carlos Granja - Bom, foi um prazer enorme poder tocar ao lado de uma banda tão importante e que me influenciou bastante. Mas como acontece em shows com bandas "grandes", o público nunca vai para assistir as bandas de abertura sendo assim quase ninguém se empolgou com o nosso show, eu creio, já que não vi muitas pessoas agitando. Mas o resultado foi positivo, recebemos alguns elogios de algumas pessoas que nos assistiram, inclusive do Jão do RDP e do próprio Arturo do Lurkers.
Atitude - E esse clipe que voceis disponibilizaram pela net, fala um pouco sobre ele.
Carlos Granja - Legal você ter perguntado sobre isto. Este é o nosso video clipe obscuro porque não foi divulgado em lugar nenhum. O clipe foi produzido pelo nossos amigos da Brócolis VHS. Decidimos fazer o video da nossa música chamada "Querô" que foi baseada num romance do Plínio Marcos. Plínio Marcos, nascido em Santos, foi um dos maiores teatrólogos brasileiros. Suas peças eram sempre polêmicas e carregadas de ironia, palavrões, prostitutas, malandragem, personagens de circo, etc. Ele era um autor marginal. Ele mesmo escrevia, publicava e saia vendendo seus livros na rua. Em 1999 ele morreu e pensei em prestar esta homenagem a ele. O video conta a história de um filho de uma prostituta que morre logo cedo tomando querosene, o moleque recebe o apelido de Querô por causa disto e cresce na malandragem do porto de Santos.
Atitude - Mais de quanto foi o orçamento do clipe? saiu de graça para voceis?
Carlos Granja - Gastamos 150 reais para fazê-lo. Quem tiver banda e se interessar em produzir um clipe é só se informar no site da Brócolis VHS
Atitude - Conte algum fato hilário que rolou com a banda.
Carlos Granja - Hilário? Putz, deixa eu pensar... Sabe, muitas pessoas pensam vendo o nome da banda e algumas ironias nossas que somos uma banda engraçadinha mas nem somos. Aliás, somos bem sem graça e nem curtimos muito bandas engraçadinhas. Mas sobre o fato engraçado, não me lembro de nada tão hilariante assim. Bom, uma vez fomos tocar num antigo espaço anarco-punk que tinha aqui em Campinas e antes das bandas tocarem rolaram aqueles discursos anarco-punks que aquele lugar todo mundo era livre para fazer o que quisesse e quando anunciamos que iríamos levar um cover dos Ramones quase fomos expulsos do local... hehehe... mas como eu estava com o microfone podia argumentar melhor com eles. No fim acabamos tocando de qualquer jeito e eles nos ignoraram e sairam do local.
Atitude - Bem acho que chegamos ao final desta entrevista, obrigado pela paciência e tempo gasto com nosco do site Atitude. Agora você tem espaço livre para dexar uma mensagem, divulgar agenda de shows e etc.
Carlos Granja - Thiago, obrigado à você e ao pessoal do site Atitude pelo espaço cedido. Espero que o site tenha um grande caminho pela frente. Obrigado também a todos que comparecem aos nossos shows, que compram nossos CDs, que pirateam nossas músicas, etc. Somos uma banda independente e tocamos porque gostamos do que fazemos, não ganhamos dinheiro com isto. Acho que é isto aí.... Gostaria de poder divulgar a nossa agenda de shows mas não temos nada agendado no momento. Se vocês sabem como levar o Coice de Mula para a sua cidade nos chamem, não estamos fazendo nada aqui mesmo. Keep on punking!!!
Entrevista feita por Thiago Prates